Seu coração batia tão lentamente, sua respiração era tão fraca e ele simplesmente não se movia, deitado em uma rede ou um divã, olhava aquela parede branca, a única que nunca pintou, decorou ou pendurou retratos. Seus olhos sempre foram muito vivos, vez por outra a decoração era mudada e coisas incomuns, porém interessantes, sempre estavam lá, estimulando-o, mas nesta parede não. Era nela que quando imerso em sua mente projetava tudo que se passava, primeiro as outras paredes sumiam, então os objetos, chão, a si mesmo e ainda que acordado de olhos abertos, via apenas aquelas imagens, textos, clipes, sons. Perdia-se nelas. Por mais que tudo fizesse sentido era confuso, não pela parede viva, mas pelo que sentia, uma ansiedade vazia, como se não conseguisse se projetar ou projetar algo específico. O pior é que quando tentava expor este sentimento tudo se apagava, as coisas ressurgiam e o mundo estava de volta.
Essa esquiva (era assim que chamava este sentimento) o desviava do mundo, o desviava também de si mesmo, das pessoas, ao ponto dos amigos que fazia o amarem e ele tão hábil, como um artista treinado, se esquivava de todas elas e apenas se apaixonava pelo estático, pela projeção que causavam, assim, todas as noites voltava para seus livros, para a TV, para os personagens que intangíveis ignoravam a Esquiva e ficavam com ele um tempo, ou muito tempo fazendo-o reler as mesmas histórias repetidas vezes, e se envolverem tanto ao nível de projetarem vividamente suas frases, parágrafos, transformando aquela parede no único ponto nítido.
Um estudo para melhorar alguns aspectos de escritas. (isso quer dizer que podem descer a porrada com críticas).
Novamente peço deculpas pelo tempo sem postar mas, estas coisas acontecem.
Abraços a todos.


